Até ao Fim – Nuno Júdice

Até ao Fim

Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

Nuno Júdice, “Pedro, Lembrando Inês“, Publicações Dom Quixote

* Este e outros poemas de Nuno Júdice poderão ser escutados dia 22 de Novembro de 2007, às 22h00, no café-teatro do Teatro Campo Alegre. O livro do poeta, “Pedro, Lembrando Inês“, oferece o nome a mais uma sessão das Quintas de Leitura do TCA.

~ por Carla Sousa em Outubro 20, 2007.

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