Pedro Tochas revela a essência da sua arte…
“Há pessoas que podem vir a ter vidas mais “respeitáveis” e seguras que a tua…
…mas será que têm boas histórias para contar???”
Pedro Tochas

Foto: Google
As memórias são eternas… sobretudo quando decorrem de dias bonitos, de momentos felizes…
Aquelas que guardo do espectáculo do Pedro Tochas, no primeiro Sábado de Novembro, na casa de Cultura de Paredes, dificilmente se esvairão…
Os balões, os malabarismos, o elástico amarelo no cabelo, os olhares puros de quem preserva a criança dentro de si, o nariz vermelho do palhaço que não fala, mas diz tudo, os inúmeros adereços, como a simples vassoura que se transforma no par de dança mais surpreendente e especial… oferecem a todos nós a essência da vida, a razão de estarmos por cá e conseguirmos amar profundamente aquilo que fazemos…Um ser humano incrível, que prometeu regressar a Paredes… eu estarei lá de certeza!
Deixo-vos um texto de Pedro Tochas (newsletter de 24.03.07), que transmite, sem pretensiosismos, a essência da sua arte, as escolhas e as palavras de quem acredita que é pelo sonho que vamos…
“=> PENSAMENTO NO FIM DO EMAIL <=
Dia 27 de Março é dia Mundial do Teatro (… em Portugal).
Dia 27 de Março é o dia em que faço 35 anos!!!!
(grande coincidência!!!!)
35 ANOS!!!!!!
Pois é, já tenho idade para ter juízo.
Mas não, continuo a fazer palhaçadas e a andar pelo mundo fora a passar o chapéu (por outras palavras: a pedir esmola).
O mais cool disto tudo é que estou a viver o meu sonho:
Ser artista de rua e ter a liberdade de andar pelo mundo a fazer espectáculos.
Quando em 1991 estava na Universidade de Coimbra e disse aos meus colegas que queria ser artista de rua, a reacção deles não foi a que eu esperava.
Sempre achei que a Universidade seria um local de descoberta e onde as novas ideias eram bem vindas, mas o que encontrei foi pessoas de 20 anos que pensavam como os velhos, com ideias conservadoras e com medo do desconhecido, coisas que esperava na minha família, mas não de jovens universitários que se achavam tão modernos e inovadores.
Para eles esta era uma ideia amalucada, eu devia era acabar o curso, ser engenheiro e uma pessoa “respeitável”.
Claro que ignorei a opinião deles.
Que mais podia fazer?
Por um lado, podia jogar pelo seguro, ser engenheiro, ser uma pessoa “respeitável” com um “emprego à séria” por outro, podia tentar ser um ARTISTA DE RUA.
Eu tinha um sonho e, perante todos os entraves que me eram colocados, transformei-o numa missão: ser artista de rua.
Sempre achei romântica a ideia de chegar a uma praça numa terra desconhecida e fazer um espectáculo de rua.
Era isso que eu ia tentar fazer.
Bendita a hora em que o sonho levou a melhor.
Agora estou com 35 anos (no dia 27 de Março), não tenho um “emprego à séria”, não acabei o curso de Engenharia Química (fiz, em vez disso, um de Teatro Físico), não joguei pelo seguro.
Mas posso dizer:
“Sou artista de rua e ando pelo mundo a fazer espectáculos de rua!!!”
Diz-me lá se não é romântico???
Só te digo uma coisa:
Segue o teu sonho, não deixes que pessoas sem coragem em arriscar e de vistas curtas te cortem as asas.
Se tu acreditas que consegues, quem são eles para te dizer para jogar pelo seguro?
Segue o teu sonho, mesmo que corra mal… porque no fim, sempre ficas com boas histórias.
Há pessoas que podem vir a ter vidas mais “respeitáveis” e seguras que a tua…
…mas será que têm boas histórias para contar???”


“O TOCHAS É O MAIOR!!!”
Como diz o um meu não amigo…
Adorei o espectáculo.
…e não é que é mesmo verdade! é o maior! fui ver o ultimo trabalho dele, que ainda está em versão beta (precisa de ser limado) “já tenho idade para ter juízo” a dada altura parece uma sessão de motivação, mas tá completamente dentro do texto que colocou no fim do email e que está transcrito no post
…..pão…quero pão!
Pois é Zina há não amigos que teem toda a razão, depois do que assisti confesso que fui conquistada pelos olhares e sorrisos traquinas do Pedro … O palhaço é realmente uma delícia… Enfim esperemos que não demore 5 anos a voltar a Paredes e já agora que a praça que ele tanto apreciou já esteja terminada ou ainda somos todos convidados novamente para ir “assentar” uns paralelos (hehehe).
Um beijinho Carla