Trocando em Miúdos – Chico Buarque
”Chico de Hollanda, de aqui e de alhures
Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloqüentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua – tudo à flor do coração, em carne viva…
(…) Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção.“Ruy Guerra, cineasta e escritor - Outubro de 1998
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim ?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembrançasAquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilaceradoAliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tardeLetra: Chico Buarque
Música: Francis Hime
“Chico Buarque” [1978] ** Um álbum que me traz as melhores lembranças de juventude, como já havia aqui dito… um encontro genuíno com as palavras de um mestre.


O que seria do mundo sem ele, meu Deus!
Essa pergunta ecoa cada vez mais alto na minha cabeça…
E essa música sempre me faz sentir vontade de chorar…
“E a leve impressão de que já vou tarde…” magoa qualquer um…
Intenso. Chico é um mestre!