‘É tão bom ser pequenino’ cantava Alfredo Marceneiro…

Para melhor ilustrar a serenidade e a felicidade do pequenino cá de casa, deixo-vos este fado antigo, mas maravilhoso, do sui generis Alfredo Marceneiro.

Ser pequenino – Alfredo Marceneiro

É tão bom ser pequenino,
Ter pai, ter mãe, ter avós,
E ter esp’rança no destino
E ter quem goste de nós.

Ver tudo com alegria,
Sem delongas, sem demora,
Ver a vida numa hora
a eternidade num dia
Ter na mente a fantasia
De um bem que ninguém supôs,
Ter crença, sonhar a sós,
Co’ a grandeza deste mundo
E, para bem mais profundo,
Ter pai, ter mãe, ter avós.

Ter muito enlevo a sonhar,
Acordar e ter carinho,
Ter este mundo inteirinho
No brilho do nosso olhar.
Viver alheio ao penar
Deste orbe torpe, ferino,
Julgar-se eterno menino,
Supor-se eterna criança,
E, num destino sem esp’rança,
Ter esp’rança no destino.

Ó desventura, ó saudade,
Causas da minha inconstância,
Daí-me pedaços de infância,
Retalhos de mocidade.
Dai-me a doce claridade
Roubando-me ao tempo atroz
Queria ter a minha voz
P’ra cantar o meu passado…
E é tão bom cantar o fado
E ter quem goste de nós!…

2 pensamentos sobre “‘É tão bom ser pequenino’ cantava Alfredo Marceneiro…

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