Somos ‘uns valentes’ e às vezes nem percebemos…

A vida nem sempre é fácil, por muito que sejamos positivos, optimistas e com tendência para olhar com serenidade para o avesso dos dias. Deveríamos, se conseguirmos (ou se conseguíssemos), ter presente que o mundo não é (de todo) cor-de-rosa. Que o sol também se põe. Que o ser humano é imperfeito. Que a dor existe. Estas são verdades que deveriam viver em nós, tal como o mundo quase quimérico em que, na maior parte das vezes, pensamos morar.

A verdade é que há momentos cruéis, que nos fragmentam. Há momentos infelizes que acontecem, porque sim, e que não dependem de nós. Nessas alturas difíceis, complicadas, em que muitas vezes caímos e nos estatelámos ‘ao comprido’, em que perdemos o chão, o norte e o discernimento, o vazio acomoda-se e toma conta do espaço, do tempo e de nós. O (nosso) mundo pára! Sabemos que é difícil levantar do chão, quando as dores são muitas. Se, mesmo assim, nos agarramos a alguma coisa, se cambaleamos, graças a uma réstia de força (que surgiu por milagre, achamos nós, e que não entendemos, pelo menos não nesse momento ainda frágil), é certo que já estamos a tentar procurar o trilho do chão que antes nos pertencia. Pode haver sempre quem queira que sejamos mais velozes, mais corajosos, que não pensemos na dor (que está lá e demora a ir embora), mas o que realmente importa é perceber que já estamos a caminhar. E isso é já uma vitória! A passos lentos, é certo, mas no tempo de cada um. Fundamental é termos consciência disso… que somos valentes a partir do primeiro segundo em que nos erguemos das nossas ‘cinzas’.

Hands - Jewel

If I could tell the world just one thing
It would be that we’re all ok
And not to worry because worry is wasteful
And useless in times like these

I will not be made useless
I won’t be idled with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear

My hands are small, I know,
But they’re not yours they are my own
But they’re not yours they are my own
And I am never broken

Poverty stole your golden shoes
But it didn’t steal your laughter
And heartache came to visit me
But i knew it wasn’t ever after

We will fight, not out of spite
For someone must stand up for what’s right
Cause where there’s a man who has no voice
There ours shall go singing

My hands are small, I know,
But they’re not yours they are my own
But they’re not yours they are my own
And I am never broken

In the end only kindness matters
In the end only kindness matters

I will get down on my knees and I will pray
I will get down on my knees and I will pray
I will get down on my knees and I will pray

My hands are small, I know,
But they’re not yours they are my own
But they’re not yours they are my own
And I am never broken

My hands are small, i know,
But they’re not yours they are my own
But they’re not yours they are my own
And I am never broken
We are never broken

We are God’s eyes, God’s hands, God’s mind
We are God’s eyes, God’s hands, God’s heart
We are God’s eyes, God’s hands, God’s eyes, God’s hands
We are God’s hands, God’s hands, We are God’s hands

Work in progress << Da vida e do que (posso e quero) fazer para a viver bem #1

Se tivesse uma tigela com água turva e quisesse que a água ficasse límpida, o que fazia?

Há quem tenha respondido que fervia a água. Provavelmente o que faz com os pensamentos: querer torná-los límpidos com mais força do que nunca, resolvendo tudo ao mesmo tempo. Enquanto estratégia, equivale a aumentar o tráfego para reduzir a poluição, subir o volume para abafar o barulho ou recorrer a bombas para conseguir uma solução pacífica. Não é que estas estratégias nunca tenham sido tentadas; o problema é que raramente funcionam.
Se quiser tornar a água límpida, basta deixá-la em paz o tempo suficiente para a escuridão assentar. Resulta porque a água é por natureza límpida. A mente também é límpida por natureza, e o bem-estar faz parte da natureza do ser humano.’

Daqui

É mesmo isto que te desejo, meu pequeno grande Am♥r…

As palavras são da Belinda Sobral, uma alentejana que assina o maravilhoso blog Na minha Mercearia.

Lindo legado para os nossos filhos. 

Carta a uma filha

Filha, se puderes, fica. Fica neste país que é tão lindo. Fica, mas também podes ir, podes ir para onde queiras ir. Podes viajar, conhecer o mundo, mas antes de mais conhece-te a ti própria. Não viajes para tirar fotografias a viajar, viaja sim para dentro de ti, conhece-te através do mundo, das pessoas e dos lugares.

Filha, se puderes, fica. Fica, mas desliga a televisão. Quando puderes liga-a, mas liga-a apenas para veres a rtp2, não, desliga, desliga porque até aí, a cultura desapareceu. Se puderes, nunca vejas um telejornal, porque aí as pessoas vivem de emoções, porque aos veres o telejornal, não vais ser feliz, vais apenas viver as emoções dos outros, e não vais puder mudar o mundo. Se puderes, vai antes para a horta e aprende com os mais velhos o que eles melhor sabem fazer nesta terra onde cresceste, aprende a cultivar o que vais levar para a tua mesa. Aprende a viver os dias em ritmo com a natureza, com a lua e com o sol. Aprende a ser feliz e a mudar o teu próprio mundo. Vive apenas a tua vida e nunca a vida dos outros. Se puderes lê muitos livros. Nos livros cabe toda a sabedoria do mundo. E escolhe aqueles que te façam mais feliz e que ensinam que a chuva e os dias cinzentos também fazem falta.

Filha, se puderes, vê o sol nascer todos os dias e se puderes chega sempre cedo a casa, cuida dos teus e sê feliz com eles, não procures na rua a aprovação dos outros. Se puderes, vai ao teatro, ao cinema, aprende uma arte qualquer e, se puderes, partilha-a com os outros.

Se puderes, sê feliz, não esperes que o teu país te faça feliz. A felicidade não está num lugar, a felicidade parte de ti em direção ao lugar onde estás. Podes procurar todos os lugares e, em todos eles, irás encontrar alegria e tristeza. Tu és quem terá de escolher com qual das duas queres viver. Mas se puderes viaja, se puderes fica. O nosso país é tão lindo, nele vais conhecer pessoas maravilhosas, paisagens fabulosas, tradições que valem a pena. Se puderes não te envergonhes do país que tens. Mas, se puderes, procura a verdadeira cultura que existe nas pessoas mais simples. Procura dançar as danças de roda, procura cantar as modas alentejanas, procura viver as tradições dos lugares onde vives. Nunca te envergonhes a dançar. Dança sempre como se toda a gente estivesse a olhar para ti e fá-los dançar contigo.

Filha, se puderes, fica. Os teus pais ficaram e escolheram uma forma mais simples de viver. Vivem sem luxos, vivem mais do amor do que do dinheiro e são felizes. A verdade é que fazem aquilo que os faz mais feliz e vivem sem pressas e com os sonhos nos braços. Vivem como se o agora fosse o mais importante. Mas filha, se puderes, vai, vai e procura o conforto, ele poderá fazer-te feliz, mas nunca te fará tão feliz quanto o amor.

A verdade é que poucas pessoas entenderão o que os teus pais querem dizer, mas filha, se puderes, procura-te, vai bem dentro de ti e percebe todas as mágoas que porventura te deixámos. Trá-las todas cá para fora e deita-as ao mar ou à terra, nunca ao vento. Chora sempre que tiveres de chorar e ri em voz alta para toda a gente rir contigo.

Das palavras (de outros) em que me encontro…

‘Só as tragédias nos relembram o verdadeiro valor da nossa existência. Só as tragédias nos trazem a angústia de sermos mortais. Passamos a vida tão ao de leve, tão preocupados com coisas mundanas, com as contas, com os horários, com o que os outros pensam, com o que é que se tira para o jantar, com aquele berbicacho que temos de resolver até ao dia seguinte, que nos esquecemos do que realmente importa. De quem realmente importa.
Só as tragédias nos espicaçam durante uns dias. Nesse período, prometemos a nós próprios que vamos ser pessoas melhores, que vamos preocupar-nos mais com os outros, que vamos telefonar mais vezes aos pais, aos avós, aos amigos, que vamos cumprir aquela promessa há tanto tempo adiada. Prometemos tudo isto, para logo a seguir sermos novamente engolidos pelo quotidiano e atirados a um mundo que não está feito para contemplações. Um mundo que não nos dá tempo para pensar, que não nos dá tempo para tudo o que um dia gostaríamos de fazer ou dizer. E, quando mais de 90% da população luta para sobreviver, é quase um insulto pedir que sejamos mais contemplativos e olhemos para as pequenas coisas poéticas que a vida nos oferece. A poesia não paga as contas, não cumpre os horários, não faz o jantar.
Mas então acontece uma tragédia. Um acidente, uma doença, uma injustiça. Um segundo que nos rouba o chão, que nos traz o desejo doloroso de ter tido mais um dia, mais um abraço, mais uma palavra sussurrada ao ouvido. Nessa altura, o que nos resta senão as tais coisas poéticas? Quando não há um corpo, quando não há vida, matéria, substância, persistem as recordações e a culpa por todos os minutos que perdemos a pensar nas contas, nos horários e nos jantares. Porque, por muitas voltas que a vida dê, por muitas obrigações que o mundo nos imponha, são as pessoas que nos dão sentido. Pessoas que merecem ouvir todos os dias o quanto são importantes na nossa vida. Todos os dias. Não apenas nos dias das grandes alegrias. Ou das grandes tragédias.

‘Para as minhas pessoas’ de Filipa Fonseca Silva [daqui]

‘O mais normal é que os filhos emigrem e não os pais’

Não consigo ficar indiferente a este emocionado relato, não apenas por ser do João Tordo, filho do ‘nosso’ Fernando Tordo, mas também por retratar fielmente o estado deste país. Um país a viver numa ilusão pegada de que ‘está tudo bem’ ou de ‘que vai ficar tudo bem’, quando o que temos, para além de um país (quase) falido, é um grupo considerável de cidadãos sem memória a viver uma esperança fingida.

Nunca esta música de Fernando Tordo fez tanto sentido, como hoje, ou ontem, quando o filho João Tordo teve de se despedir do seu pai, que Portugal parece não saber quem é. Fico feliz por não me incluir nesse grupo, por saber quem é Fernando Tordo!

Obrigada, pai, por me teres ensinado que as palavras também constroem a memória de um país.

‘Para isso fomos feitos’…

Ai, como sou feliz a ler (e ouvir) quem sabe usar as palavras! É um verdadeiro privilégio!

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Poema de Natal de Vinicius de Moraes, 1946

Acho que é a primeira vez que falo da Rita Pereira no meu blog…

… e, apesar de não seguir muito do seu trabalho enquanto actriz, sempre a considerei uma mulher com um talento natural, enquanto modelo, mas que, apesar disso, trabalhou muito para chegar ao nível que hoje apresenta em muito dos seus trabalhos. Hoje falo dela porque fiquei siderada com as fotos que publicou na sua página de facebook, numa sessão fotográfica para a mais recente campanha da estilista Micaela Oliveira. Sei que a minha opinião é de puro amadorismo, mas acho mesmo que o resultado não fica atrás de muitas produções de outros países. E era só isto!

Imagens daqui

Hoje é só isto [que é tanto] que celebro…

O dia em que te conheci, há 20 anos atrás! E o único dia em que celebrámos esse momento a preceito, um ano depois, quando já namorávamos. A imagem desse dia ficará para sempre comigo, mas continuo a achar que a história de dois jovens universitários (nas lonas, diga-se), que vestem as suas melhores roupas para irem, no famoso e saudoso ’78’ dos STCP, tomar café ao Majestic tem algo de mágico! Mesmo que essa seja uma magia só nossa!

♥ ♥

‘Estrela da Tarde’ por António Zambujo e Yamandu Costa (uma versão linda de um poema sublime, um dos meus preferidos de Ary dos Santos)

'Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem 
se quer tanto!'

Eu acredito nisso… no poder de um abraço apertado e sentido…

E como os abraços foram (como são sempre) importantes nestes últimos dias, em que as palavras se tornaram insuficientes e incapazes de expressar a dor e o vazio.

hugs

Estou aqui, minha irmã! LY ♡

A beleza do (re)encontro …