Um dos meus mantras…

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De como a música me salva inúmeras vezes…

Não é novidade para ninguém (ou não deveria ser) que a música pode ter efeitos fantásticos no modo como somos, ou como nos sentimos (tanto física como emocionalmente). Hoje é dia ‘mais ou menos’. Porque nem sempre os tais dias marcados nos ‘calham’ bem! A banda sonora escolhida é do Chico Buarque. Porque também assim calhou!
Aproveito a boleia do Chico para dar um passeio pelas memórias de outros tempos, quando me foram apresentados alguns temas deste e de outros mestres da MPB.  É o caso de ‘Você Não Entende Nada’ de Caetano Veloso,  uma dessas recordações especiais, com quase 20 anos de vida. Ai, as vezes que cantámos essa canção! 🙂

Depois acabei por me render à sua versão ao vivo, numa fusão sui generis e fabulosa com o ‘Cotidiano’ do Chico. Um diálogo de mestres, como eu costumo dizer.

♥Dia do Pai e ‘um abacho’

Olá pai! ‘Ké um abacho’ (quero um abraço)!
Estas são para já as palavras de grande amor e cumplicidade que o nosso mais pequenino usa para saudar o Pai, assim que o vê (seja quando acorda ou quando o vê chegar do trabalho). Hoje, para além das palavras, recebeu-o com um ‘coaxão bimelho’ (coração vermelho) que eu ajudei a decorar, tal como aconteceu com a pintura das enormes letras do Homem da sua vida! Hoje celebrou-se assim o dia do pai do nosso pequenino e, embora eu não dê grande importância a estes datas, quero que ele um dia saiba que tem memórias destes dias e que os afectos se fazem tanto com palavras como com pequenos gestos. Como o de hoje! ❤

dia do paiII

Palavras que vivem na boca e no pensamento de muitos…

… numa canção de Tiago Bettencourt. Simples, mas incisiva, numa melodia doce que contraste com a dureza das palavras que a constroem. Continuo a achar que de nada vale falar mais alto, quando o que se quer é passar uma mensagem clara. Podem ler as razões para a composição deste tema aqui. As pessoas que aparecem no videoclip são portugueses comuns, daqui ou do mundo, com imagens de vídeos caseiros, tudo a pedido do autor. Na minha opinião, muito bem conseguido!

Apresenta-se assim o descontentamento por um país que tende em decair, graças a um conjunto de pessoas que não faz o básico: dizer a verdade!

Aquilo que eu não fiz – Tiago Bettencourt

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi

Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi

Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz

Para ouvir e sentir cada palavra (para lá do óbvio)…

Como eu gosto de ver ‘as palavras nos seus lugares’*!

Eu seguro - Samuel Úria c/ Márcia

Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.
Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho
Da carne que partilhamos,

Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.

Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.
Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto
Em que ambos cicatrizamos
E seguro.

Não receio o velho agravo que suturo.
Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos,
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.
Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.

Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.
Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono

Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.

*verso de um poema de Almada Negreiros!

Palavras de quem não sabe como se mede o Am♥r…

Não vou dar a minha opinião sobre o assunto principal deste post da Sandra Felgueiras (palavras escritas a título pessoal, não como jornalista e que me surpreenderam pela negativa, admito), primeiro porque cada qual tem direito à sua opinião e à liberdade de a expressar, mesmo que não concorde com ela, como é o caso; segundo, porque a Pólo Norte já o fez num texto para lá de maravilhoso.  Adiante, portanto!

A única coisa que quero comentar (porque mexeu mesmo com minha essência, enquanto mulher e mãe) é a ligeireza e até mesmo a imprudência no modo como Sandra Felgueiras fala no AMOR por alguém, neste caso por um filho, com base no tal assunto de que eu não quero falar. Como se isso fosse possível! Não há medida para o amor. Ele é, existe, acontece, sente-se, vive em nós e para além de nós. Não se compara, não se compra nem se vende, mas, acima de tudo, e desculpem a repetição, O AMOR NÃO SE MEDE!

E era só isto!*


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* Vale a pena referir que existe algo que mudou em mim, a partir do momento em fui mãe. O meu lado leoa, que, até então esteve bem camuflado, veio à tona e ‘ai daquele’ que ponha em causa o amor pelo meu filho (até soa estranho, só de escrever), com base em critérios um tanto ou quanto duvidosos. Agora, sim, era só isto!

Adoro esta amizade do meu amor pequenino…

livros_amigos

‘E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. (…) Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a a ser única no mundo para ti.’

in 'O Principezinho' de Antoine de Saint-Exupéry

Ontem vi uma LINDA estrela cadente…

Azul e imensa! E hoje era só isto que queria dizer e já é tanto! 

Há quem prefira não sentir e limitar-se a (sobre)viver na ‘selva’…

Por vezes custa parar. Parar o corpo. Dar um basta à razão. Usar apenas mente, emoções, afectos e perceber que o coração precisa de ser escutado. Traçar planos e ter o coração como base. Ousar sonhar, mesmo com o que pode nunca se concretizar, mas ter coragem de o fazer, porque sabemos que é certo que nos fará feliz. E, se nos faz feliz, ainda que por instantes, de que vale viver sempre com a razão na nossa sombra? Podemos depois voltar para o dia-a-dia, para a ‘selva’, para a rotina, mas chegaremos de alma cheia e com o coração mais leve, porque tivemos tempo para ele.

‘Só pode voar quem arriscar cair
Só se pode dar quem arriscar sentir

in Abraça-me bem by Mafalda Veiga

O mundo aos olhos do meu filh♥…

Não era sequer hora do lanche. Acho que já se tornou vício fazer estes pedidos. E de uma assentada, diz o pequeno cá de casa:

“Tota” (= tosta). Eu: “Não pode ser.” Ele: “Pau”(= gressinos). Eu: “Não pode ser.” Ele: “boacha” (= bolacha). Eu: “Não pode ser.”

Deixa-me sentada no sofá e fica de braços cruzados e beicinho, mas resigna-se.

Meia hora depois resolvo fazer um prato de papa Cérelac (coisa rara cá em casa, por ordens do Sr. Dr.). Assim que reconheceu o barulho, corre para a cozinha e diz:

“Mãe, mãe, abaxo!” (abraço).

Como é que se resiste a isto?

[27 meses]