Há quem prefira não sentir e limitar-se a (sobre)viver na ‘selva’…

Por vezes custa parar. Parar o corpo. Dar um basta à razão. Usar apenas mente, emoções, afectos e perceber que o coração precisa de ser escutado. Traçar planos e ter o coração como base. Ousar sonhar, mesmo com o que pode nunca se concretizar, mas ter coragem de o fazer, porque sabemos que é certo que nos fará feliz. E, se nos faz feliz, ainda que por instantes, de que vale viver sempre com a razão na nossa sombra? Podemos depois voltar para o dia-a-dia, para a ‘selva’, para a rotina, mas chegaremos de alma cheia e com o coração mais leve, porque tivemos tempo para ele.

‘Só pode voar quem arriscar cair
Só se pode dar quem arriscar sentir

in Abraça-me bem by Mafalda Veiga

O mundo aos olhos do meu filh♥…

Não era sequer hora do lanche. Acho que já se tornou vício fazer estes pedidos. E de uma assentada, diz o pequeno cá de casa:

“Tota” (= tosta). Eu: “Não pode ser.” Ele: “Pau”(= gressinos). Eu: “Não pode ser.” Ele: “boacha” (= bolacha). Eu: “Não pode ser.”

Deixa-me sentada no sofá e fica de braços cruzados e beicinho, mas resigna-se.

Meia hora depois resolvo fazer um prato de papa Cérelac (coisa rara cá em casa, por ordens do Sr. Dr.). Assim que reconheceu o barulho, corre para a cozinha e diz:

“Mãe, mãe, abaxo!” (abraço).

Como é que se resiste a isto?

[27 meses]