… e custa, custa muito saber, assistir e sentir o que este ‘bicho mau’ faz na vida das pessoas. Custa (ainda) verbalizar as palavras que até há pouco tempo achava melhor ficarem caladas no meu íntimo, não fossem elas tomar de assalto a vida de alguém. Porque as palavras têm muita força, todos sabemos. Mas aprendi (num ‘curso’ sempre em actualização) que as palavras não saem da nossa boca e vão ali arranjar corpo para se fazerem matéria. Aprendi também que, por vezes, é preciso gritar estes ou outros nomes, berrar bem alto, (quase) como se fosse preciso expiar medos e dores incrustadas e renovar forças. Porque seja tumor, doença prolongada, lesão ou então o temido CANCRO, não vai ser por calar as palavras que estas vão desaparecer.
E depois há quem conte o caso na primeira pessoa, como fez a Catarina Beato (que podem encontrar aqui ou ler de seguida). Uma história com final infeliz (como tantas que tenho vivido pessoalmente), mas que do texto só consigo reter esta frase:
“uma vida inteira de trombas para ver a vida ir-se embora assim”
E hoje era só isto que quero dizer (que já é tanto para mim).