Directa ou indirectamente, tem sido este (o cancro) o assunto mais recorrente no dia-a-dia (de quase toda a gente)…

… e custa, custa muito saber, assistir e sentir o que este ‘bicho mau’ faz na vida das pessoas. Custa (ainda) verbalizar as palavras que até há pouco tempo achava melhor ficarem caladas no meu íntimo, não fossem elas tomar de assalto a vida de alguém. Porque as palavras têm muita força, todos sabemos. Mas aprendi (num ‘curso’ sempre em actualização) que as palavras não saem da nossa boca e vão ali arranjar corpo para se fazerem matéria. Aprendi também que, por vezes, é preciso gritar estes ou outros nomes, berrar bem alto, (quase) como se fosse preciso expiar medos e dores incrustadas e renovar forças. Porque seja tumor, doença prolongada, lesão ou então o temido CANCRO, não vai ser por calar as palavras que estas vão desaparecer.

E depois há quem conte o caso na primeira pessoa, como fez a Catarina Beato (que podem encontrar aqui ou ler de seguida). Uma história com final infeliz (como tantas que tenho vivido pessoalmente), mas que do texto só consigo reter esta frase:

uma vida inteira de trombas para ver a vida ir-se embora assim”

” [o cancro]

nestes momentos em que o cancro se torna assunto é inevitável pensar no meu pai. não nas saudades que tenho mas na doença que o matou. o meu pai foi, durante toda a vida, e muito por consequência da morte da minha avó com um cancro muito doloroso, um homem triste. aquelas pessoas sempre com duas rugas na testa, zangado com a vida. quando o meu pai descobriu que tinha cancro, não ficou zangado, entregou-se aos médicos e mostrava uma serenidade brutal. depois da primeira operação, em que lhe foi removido um tumor maior que uma bola de futebol, o meu pai mudou. fizemos viagens, mimou a minha mãe, passeava, jantava fora e sorria. disse-nos: uma vida inteira de trombas para ver a vida ir-se embora assim. e essa frase marcou-me para a vida. para a minha vida.”

E hoje era só isto que quero dizer (que já é tanto para mim).

 

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♥ 3 de Abril de um ano diferente ♥

3 de Abril! Hoje é dia de aniversário dos meus avós. Dos meus queridos avós maternos! Da Avó Alice e do Avô Carlos! Dos bisas do meu pequenino! ❤
Quis o universo (ou qualquer outra força que só pode ser muito bonita) que, para além de um amor, de uma vida e de uma família em comum, celebrassem o aniversário no mesmo dia, com uma diferença mínima de anos. E essa coincidência continua ainda hoje a deixar-me imensamente feliz!

avós

3 de Abril de um ano diferente! Pela primeira vez, em quase 60 anos, festejam este dia em locais diferentes, mas juntos no coração. A avó Alice vai ter junto dela todos os que puderem mimá-la o mais possível, com beijinhos, abracinhos, sorrisos (uns mais rasgasdos, outros ainda molhados), tropelias dos mais pequeninos, um ‘abacho’ do bisneto mais novo e algo docinho para serenar o coração na hora dos parabéns; o avô Carlos está num sítio especial há perto de 5 meses, num local em que as festas serão certamente surpresa,em que aparecerão amigos de longa data, familiares que o vão rever e novos amigos que entretanto já fez. É quase certo que, mesmo lá em cima, ele ficará muito contente. Perceber-se-á isso pelo sorriso singelo e pelo brilho dos seus olhos pequeninos. Irá dizer de certeza que não queria dar trabalho, nem ao mais descansado dos anjos. É assim o meu avô. 🙂

Hoje, no dia 3 de Abril de um ano diferente, celebra-se o aniversário dos meus avós queridos! Nada será como dantes, mas depende de nós fazer com que a memória deste sorrisos se mantenha para sempre! ❤

Já não bastava ser uma mania insuportável*, descubro que ainda há nome para isso…

Foto @ Pinterest
* em vias de extinção (assim espero e por isso luto). 🙂