O mundo aos olhos do meu filh♥…

Dou conta que acordou. Aliás, ele tem um jeito bem característico de dizer que já são horas de se levantar. Entrei no quarto, ainda com pouca luz, e ele pergunta de imediato (sabendo bem qual vai ser a resposta):

‘Mãe, é tu?’
‘Sim, filho, sou eu! Bom dia meu amor!’
‘Bom djia!’ (sim, é mesmo assim que ele diz)
Abro a persiana, como de costume e ele grita tristíssimo:
‘Mãe, o xol num tá a biar! Oh, mãe!’ (O sol não está a brilhar!)

Percebi o desencanto nos olhos dele. Coloquei-o no meu colo e levei-o à janela. Ele olhava para todo o lado. Talvez tivesse ainda uma réstia de esperança de encontrar o sol escondido num qualquer canto do céu. Não deixei que ficasse ainda mais triste.

‘Não há sol, mas há outras coisas muito bonitas lá fora. Olha a árvore, aquele passarinho ali, as nuvens…’
‘Escuias’, observa.
‘Sim, as nuvens estão escuras, mas são bonitas, não achas?’
‘Xim!’, diz o meu pequenino já mais conformado com as cores do dia de hoje.
‘Vamos brincar? O que queres fazer?
‘Ké fajer um deseio!’ (quero fazer um desenho)

Desenha o céu, pede uma árvore e rabisca-a de ‘maxás’; pede uma ‘fior’ (flor) e, por fim, pede um ‘xol tite’ (um sol triste). É verdade, filho, o sol nem sempre brilha, mas está lá sempre (ainda que triste)! Ainda há quem diga que as crianças não percebem muito bem o que dizemos!

Sol_triste

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