Da ténue linha que separa a vida da morte…

“Às vezes parece que só se vem ao mundo para enterrar os mortos. Para fazer o caminho que todos fazemos pelos outros e que, inevitavelmente, outros farão por nós. Perguntamos, para o vazio, porquê e o vazio responde-nos de volta, com nada. Perguntamos porque não entendemos que raio de viagem é esta. (…) Desejamos a vida mas odiamos a morte, como se separassem, como se não fizessem parte. Fazem. Mas continuamos sem entender. Lamentamos o tempo, o timing, a altura. Porque nunca é tempo, nunca é o timing, nunca é a altura. E marchamos cansados. Cansados de não entender, numa fila perfeita que não sabe para onde vai. Hoje arrastei a alma. Chorei esta e as outras perdas também. A minha tão fresca. Senti-me cansada. Cansada de não entender nada, nem como, nem porquê. Parece que a vida cansa e parece que a morte descansa, na pessoa que está ali serena, deixando-nos com o paradoxo. Estão os vivos tão cansados e os mortos, parece que descansam, porque talvez eles já tenham entendido. Talvez já saibam o que ainda não sabemos e por isso é que já podem descansar.”

Marine Antunes |Daqui|

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