Natal e frio fazem a melhor combinação…

… mas resguardem-se do frio! Ficam aqui alguns truques! 😀

Harold's Planet

Anúncios

Um poema pelo nascimento de Fernando Pessoa…

Agora que Sinto Amor

Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

Alberto Caeiro, in “O Pastor Amoroso”

Cartoon by Biratan

AMOR é o presente mais bonito que podemos receber…

love

Mutts

“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.”

Vinícius de Moraes 

* Não festejo, nem valorizo este dia, mas acho bonito ler, ver e ouvir tanto amor por esse mundo fora. É pena existir somente um dia definido para isso…

Não é nunca esse momento…

calvin_hobbes_death1

Calvin & Hobbes

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

Mia Couto
in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

A paciência conquista-se…

6

Savage Chickens

“Não é fácil ter paciência

diante dos que têm excesso

de paciência.”

Carlos Drummond de Andrade

Porque é que gosto tanto de Grey’s Anatomy?

Por causa de cenas como esta… e juro que não é por se tratar de uma cena romântica, mas antes pelos diálogos inesperadamente brilhantes e pelas palavras ditas no momento certo, algo que transcende qualquer coisa que a imagem possa querer transparecer.

Seriously!

“Change. We don’t like it. We fear it, but we can’t stop it from coming. We either adapt to change or we get left behind. It hurts to grow, anybody who tells you it doesn’t is lying, but here’s the truth sometimes the more things change the more they stay the same. And sometimes, oh, sometimes change is good. Sometimes change is everything.”

(Grey’s Anatomy – S.4,Ep.1)

Esta coisa de gostar de alguém – Fernando Alvim

Esta coisa de gostar de alguém

Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e por vezes — em mais casos do que se possa imaginar — existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram — querem — mas quando gostam — e podem gostar muito — há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açúcares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui, que me irrita a pele.”

Ora, por vezes o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos. E muitas das vezes sabendo deste nosso problema escolhemos para nós aquilo que sabemos que invariavelmente iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que — aqui entre nós — é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de dez anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou — e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide — foram as expectativas que nós criámos em relação a ela. Impressionados?

Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é difícil — dizem — é saber quando gostam de nós e quando afirmam isto, bebo logo dois “dry” Martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil, porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “Ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “Ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “Ai que não vi a tua chamada não atendida”. Quando se gosta de alguém — mas a sério, que é disto que falamos — não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há SMS que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque não recebi as flores que pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de impossibilitar o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém — e estou a escrever para os que gostam — vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante do que nós.

Fernando Alvim, Jornal Metro (13.10.07)

Encontrei este lindo texto do Alvim aqui, num cruzamento “acidental” na blogosfera e só podia fazer o que mais gosto: partilhar cada palavra com todos vós.
Acho que vale a pena pensar nisto…

LeR…

“Ler é a melhor forma de conhecer alguém.”

Miguel Esteves Cardoso – Entrevista à Revista Sábado [30.10.2008]

Ser ou não ser professor…

“O professor medíocre descreve, o professor bom explica, o professor óptimo demonstra e o professor fora de série inspira.”

William Arthur Ward

Quando for grande quero ser um brincador…

Assim que vi este vídeo, fruto de uma campanha de sensibilização da MTV para o grave problema da exploração infantil, as palavras do belíssimo texto “O Brincador” de Álvaro Magalhães assaltaram de imediato a minha mente. Sim… porque todas as crianças têm direito a ser “brincadores”.

 

“Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande quero ser um brincador. Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: ” é assim a vida “.
Custa tanto acreditar! Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: ” Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras “.

O Brincador, Álvaro Magalhães – Edições ASA