E por hoje termino o dia com estas palavras e sons na alma…

“Horas, minutos, instantes, desta vida
Seguem a ordem austera, com rigor
Ninguem se agarre à quimera, sem valor
Do que o destino encaminha, e não é novo
Pois por morrer uma andorinha, sem amor
Não acaba a primavera, diz o povo”

“Por Morrer Uma Andorinha” – Carlos do Carmo & Camané

(O meu) passado musical #1

A Gentleman's Excuse Me by Fish (1990)

À conta de arrumações ‘profundas’ – a nível da destralha (que tanto anseio) e da limpeza emocional (a que custa mais) – encontrei as minhas velhinhas cassetes caseiras*, feitas maioritariamente por amigos cheios de bom gosto e de sabedoria musical, com quem muito aprendi, em décadas idas, onde a informação tardava a chegar, em que nem se falava de internet e ver um vídeo musical era algo que acontecia raramente.

Não sou daquelas que acha que a melhor música foi feita no século XX. Não sou purista a esse ponto. Eram outros tempos, é um facto, mas que se fizeram autênticas obras de arte com uma menor quantidade de ferramentas, lá disso não há dúvida. Começo com ‘A Gentleman’s Excuse Me’ de Fish (para quem não sabe, o primeiro vocalista dos Marillion).

* Um dia posto umas fotos dessas cassetes, para mim umas verdadeiras relíquias. 🙂

Das maravilhosas notícias que a música portuguesa nos dá…

Fico imensamente feliz com esta notícia, primeiro porque é um dos meus músicos preferidos e isso deixa-me vaidosa, admito 🙂; segundo porque sempre considerei Rodrigo Leão não somente um artista português, mas um artista do mundo e, por isso mesmo, merece este grandioso reconhecimento, ao ser escolhido para compor a banda sonora do novo filme de Lee Daniels, ‘The Butler’, protagonizado por Forest Whitaker, Oprah Winfrey, entre outros.

Rodrigo Leão compôs as músicas mais lindas que eu conheço, bandas sonoras inesquecíveis e este será certamente o primeiro de muito projectos, não duvido! 

 

Grândola, Vila Morena do Zeca Afonso na voz de Jorge Palma

Não gosto de ouvir canções (neste caso, um hino), com esta grandeza, ‘em vozes que nunca vão afinar’, nem tampouco num uso contestatário impensado.

É importante um contexto, para que não caiamos no erro de desvirtuar a nossa história. Esta versão do Palma seria certamente aplaudida pelo Zeca, porque transpira intenção, estima e reverência pela mensagem que nela encerra. Eu gosto e aplaudo!

Em viagem…

… sem sair de casa. Basta querer…

Boa semana!

Oh my sweet Carolina – Ryan Adams e Laura Marling
(Live @ Abbey Road)

Hoje o dia começou com este ritmo…

… que eu adoro! É tempo de dar outro contexto ao Cat Stevens, que me faz sempre recordar noites e dias passados em frente ao computador, quando estava no estágio da FLUP, que durou um ano, mas que parece ter durado uma vida, tal era a exigência e a carga de trabalho. E vocês perguntam “e que tem o Cat Stevens a ver com isto?” Nada, directamente, e, ao mesmo tempo, tudo porque este CD, que agora ouço, tocou in repeat mode em muitas dessas noites e dias, tal era a minha alienação da vida e do que me rodeava. Para além disso, eu sou daquela franja da sociedade que associa músicas a momentos. Pois que estou a tentar pôr o Cat Steven noutro contexto, como banda sonora deste post por exemplo, mas acho que o vou substituir de imediato. É que já de seguida vou passar roupa a ferro. Coitadinho do senhor… 🙂

Enquanto isso…

Um pouco de soul faz sempre bem à alma…

These arms of mine – Otis Redding

These arms of mine
They are lonely, lonely and feeling blue
These arms of mine
They are yearning, yearning from wanting you

And if you would let them hold you
Oh, how grateful I will be
These arms of mine
They are burning, burning from wanting you
These arms of mine
They are wanting, wanting to hold you

And if you would let them hold you
Oh, how grateful I will be
Come on, come on baby
Just be my little woman, just be my lover, oh
I need me somebody, somebody to treat me right, oh
I need your woman’s loving arms to hold me tight
And I…I…I need…I need your…I need your tender lips

Por aqui ouvem-se…

… porque a mãe gosta, mas porque o príncipe cá de casa adora. 🙂
É uma delícia vê-lo a adormecer tranquilamente ao som da ternura em forma de música. Eu cá fico derretida só a olhá-lo…

A avó Arminda deu-nos um presente muito lindo, não deu bebé?

*Já tinha falado aqui num dos temas, mas o cd tem outros igualmente lindos.

E deixo-me embalar…

Tudo tem de facto o seu tempo.   🙂

Que nome lhe vamos darSara Tavares

Olha, olha esta luzinha
A teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro
Nem ficas sozinha
Que luzinha tão lindinha
Acompanha a menina

Olha, olha esta luzinha
Ao teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro
E nem ficas sozinha
Ao bebé chamaste Zé
E ao ursinho Antoninho
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar

Olha, olha esta luzinha
Ao teu lado a brilhar 
Nem ficas sozinha
Acompanha a menina

Olha, olha esta luzinha
Ao teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro
E nem ficas sozinha
Luzinha tão lindinha
Acompanha a menina

Olha, olha esta luzinha
Ao teu lado a brilhar

Devia ter um nome
Ai, que nome
Que nome lhe vamos dar
Era tão bom ter um nome
Que nome lhe vamos dar
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar
Olha, olha esta luzinha

Das músicas que nunca deixam de ser actuais…

Podia ser a banda sonora do nosso país nos últimos tempos.

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Portugal, PortugalJorge Palma

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar