Excerto de “Where to invade next” de Michael MooreEstamos tão longe deste modelo de ensino! Um modelo que me cativa e segundo o qual eu gostaria de educar o meu filho! Pena em Portugal serem poucas as instituições que se regem por alguns destes conceitos e directrizes. E vivesse eu perto de uma delas!
Não vou dissertar sobre este assunto, mas assumo que me deixa triste e sobretudo preocupada, que a maioria das nossas escolas não eduque crianças para serem felizes. Tal não é possível! Não com esta carga horária, não com a quantidade absurda de trabalhos de casa diária, que não lhes dá sequer tempo para serem crianças. Culpa das ‘metas curriculares’, explicam.Este modelo de educação parece-vos uma utopia? Pois, mas já não é. Aqui têm um exemplo.
Educação
O mundo aos olhos do meu filh♥…
Na sala no final do dia (desarrumada com as suas muitas brincadeiras)
‘Rodrigo, arruma os brinquedos, que estão espalhados no tapete, por favor!
Lá veio contrariado e a queixar-se, enquanto apanhava os que estavam mais próximos. E pergunta:
‘Mamã, não me vais ajudar?’
‘Não, filho! Tens de ser tu a arrumar o que deixas desarrumado!’
As queixas continuam.
‘Mas eu sou pequenino! Os meus braços são muito ‘cutos’!’
‘Pois são, mas levantas-te e já consegues apanhar os brinquedos que estão mais longe!’, respondi, a sorrir com a observação (sem que ele visse, claro)!
‘Tu não percebes, mamã! Demora muito, porque eles (os braços) são ‘cutos ‘demais!‘Eu percebo, filho! Percebo muito bem! Mas vais crescer e também vais perceber que o caminho se faz em pequeninos passos, e que às vezes demora! Mas conseguimos chegar onde queremos! Não podemos é desistir sem tentar! ❤
O mundo aos olhos do meu filh♥…
No carro (de manhã, quando o levava à escola)
‘Ó senhores carros, saiam da frente, que eu quero ir para a escolinha!’, grita o meu filho do banco de trás.
Tão cedo ainda, mas já tão feliz!
‘Não precisas de falar tão alto, Rodrigo! Porque estás tão aflito?’
‘Quero estar com os meus amiguinhos!’ ❤
Começo a dizer os nomes de alguns e ele responde sempre que sim, que são seus amigos. A certa altura digo:
‘Também és amigo do ‘X’, não és?’ (A inicial é fictícia)
‘Não, mamã! Ele não é meu amigo!’
‘Porquê, filho?’
‘Porque ele ‘esconde’ os brinquedos dos outros meninos, porta-se mal e não faz o que a professora diz!‘Sei que ainda é cedo para falar da capacidade de distinguir o certo do errado, tendo em conta os seus 3 anos e pouco, mas já me deixa feliz que ele comece por si mesmo a reconhecer, nas referências que lhe damos, qual o caminho a seguir.
O mundo aos olhos do meu filh♥…
No carro (à saída da escola)
‘Mamã, vai mais devagar para eu ver os carros!’, exige o pequenito num tom de voz um tanto ou quanto petulante!
‘A mãe está a andar devagar, Rodrigo!’
‘Não estás não, mamã! ‘Tou a dizer para andares mais devagar!!!
‘ Pára com isso, Rodrigo! Já sabes que não vale a pena falar assim para mim! ‘
Fico em silêncio, mas vejo que ele está olhar-me pelo retrovisor. Poucos minutos depois, pede carinhosamente:
‘Faz um sorriso, mamã! Po’favor!’
‘Porquê, filho?’
‘P’ra eu ficar feliz e contente!’Não foi NADA difícil fazer um sorriso! ❤ O assunto ficou também encerrado!
‘Amor de mãe é visceral.’*
‘Bom dia, mamã!’
‘Bom dia, filho!’
De olhos fixos nos meus, despeja de uma só vez as dúvidas que ocupam o seu pensamento.
‘Tás feliz, mamã? Não tás ‘tiste’ (triste)? Não tás ‘tateada’ ‘ta’ mim?’ (chateada comigo)
‘Estou feliz, filho! Não estou triste, nem chateada!’Percebo rapidamente que o dia de ontem não foi esquecido. 😦
Para ele – O dia de ontem foi duro! Foi-lhe difícil perceber e aceitar que ia passar um dia em casa sem os seus brinquedos e livros. Hoje confirmei isso. Apesar de ter mostrado na hora arrependimento e de ter admitido ‘que se tinha potado (portado) mal’, vi que não foi fácil constatar que as prateleiras, ontem coloridas pelas brincadeiras, estavam hoje vazias! Os olhos ficaram por alguns momentos mais pequeninos, mas não chorou. Disse apenas, em jeito de confirmação ‘hoje não há ‘binquedos’, mamã!’ O meu pequenino está a crescer! ❤
Para mim – O dia de ontem foi dificílimo! Tive de tomar esta decisão complicada e não acho que se tratou de um acto de coragem, porque me senti mais ‘medricas’ do que ele, que tinha feito a asneira. Doeu-me o coração, a alma e sei lá mais o quê. Mais ainda, porque o fiz com consciência, friamente, quase sem palavras, de forma assertiva, como se a minha emoção tivesse fugido para parte incerta (um esforço que custa caro, acreditem). Não era a primeira vez que ele deixava a sala naquele estado, mas, o modo displicente e imperturbável com que atirou parte dos objectos para o ar e para o chão, fez-me tomar uma atitude. Uma atitude várias vezes adiada e contornada com as frases costumeiras ‘vamos lá pôr tudo no sítio’, ‘a mãe ajuda’, ‘prometes que não voltas a fazer isto?‘. Desta vez pulei essa teoria e tratei do assunto de forma drástica, a ponto de me sentir a pior mãe do mundo.
Com a ajuda (e cumplicidade) do pai, os brinquedos e os livros foram retirados e arrumados numa caixa e levados para a garagem, tal como lhe disséramos antes. Nós explicámos tudo calmamente, sem alaridos e já sem choro. Meia hora depois estávamos os três sentados no sofá, sem falar. Do nada, ele pede desculpa, por se ter portado mal, por ter deixado os pais tristes. Nós aceitamos as desculpas e dissemos que não falaríamos mais no assunto, mas que, mesmo assim, os brinquedos iriam ficar na garagem. Ele disse que sim, ainda que cabisbaixo. Tenho a certeza que ainda tinha uma pequena esperança que recuássemos na decisão.
Tinha lido *o texto da Carolina, do ‘Família 3 e 1/2′, no dia anterior e as palavras não me saíam da cabeça. Palavras que subscrevera na íntegra e que foram naquele momento uma ajuda preciosa para atenuar a culpa que sentia. “(…) Amor de mãe é lixado! Sentes culpa quando berras, culpa quando não berras, culpa quando dás, culpa quando não dás! Achas sempre que nunca és suficientemente boa, suficientemente justa, suficientemente rígida nem suficientemente altruísta! Amor de mãe é a tua maior dependência, a tua maior dor, a tua melhor alegria, tua melhor prestação, a tua maior frustração e o teu maior milagre!”
Cartoon by Cathy Thorne @ Everyday People Cartoons
Para interiorizar #5

‘O teu filho seguirá o teu exemplo, não o teu conselho.’
