‘Selfie’* por palavras…

Life does not consist mainly, or even largely, of facts and happenings.
It consists mainly of the storm of thoughts that is forever blowing through one’s head.

|Mark Twain|

* Ai, como me cansa já este termo, mas hoje achei graça à analogia! 🙂

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A rever-me (novamente) nas palavras de Fernanda Mello…

E sorrir interiormente por estas palavras terem surgido hoje, no momento certo, quando as minhas não me foram suficientes! 🙂 O universo é rico!

Obrigada!

BATALHA INTERNA: FICAR CONTRA VOCÊ, PRA QUÊ?

Ah, não sei não. Não é do meu destino ser moderada. Não está em mim, não entendo. Tomo cinco gotas de floral três vezes ao dia. Escuto músicas com sons de chuva. Tenho frases “zen” espalhadas pela casa. Procuro meditar. Adoro final de semana no mato. Ando descalça. Invento letras pra espantar mau-olhado. Mas, quer saber? Tudo com o que eu me importo, ME IMPORTA MUITO. Me suga, me leva, me atrai, se funde com tudo o que sou e me consome. Toda. Por inteiro. Sorte minha me doar tanto – e com tal intensidade – e ainda sair viva dessa vida.

Li por aí que homens têm de ser DIRIGIDOS e mulheres têm de ser CONTROLADAS. Alguém já ouviu falar isso? Foi o autor Carlos Castaneda que escreveu. É, pessoal. Há muita verdade escondida ali, naquela simples frase maluca: homens precisam de direção e nós, mulheres, apenas de controle. CONTROLE SOBRE NÓS MESMAS, devo dizer. Porque direção – por mais que a gente negue e afirme estar perdida – a gente tem. Mulher nasceu com um sexto sentido aguçado, e nosso “não-saber” é mais sábio que a própria razão. Duvida? Devo admitir que às vezes também duvido. De mim. Moro no lado ocidental do planeta, mas nasci amiga da lua. E me vejo por horas na rua, procurando explicações plausíveis pra tudo. Uma contradição? Pode ser. Mas uma coisa eu aprendi no susto. A gente tem um poder – dentro da gente – que não tem tamanho. E para mim, canceriana e exagerada, esse é um desafio que me faz ficar cara a cara com quem pode, às vezes, se tornar a minha pior inimiga: eu mesma. Nunca me disseram que a maior batalha acontece aqui, bem dentro da gente. (Ou já me disseram, e eu não entendi direito: frases só fazem sentido quando estamos prontas pra ouvi-las.).

Por isso, hoje, com toda a minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas. E as estudo como se minha vida dependesse disso. É. Com o autocontrole nas mãos, um propósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos – quem sabe? – nos tornar guerreiros impecáveis. Ou – se não – apenas sorrir mais. O que pra mim já vale a luta.

Fernanda Mello (texto aqui)

Nós encontramos FORA o que, na verdade, mora aqui DENTRO.*

Estou completamente rendida à simplicidade das palavras, ao tom coloquial que Fernanda Mello dá a cada assunto, à sua voz doce e característica, mas, acima de tudo, ao modo como os seus pensamentos mexem no meu mundo. E de como isso me sabe e faz tão bem!!! 

*Crónicas Digitais by Fernanda Mello (texto aqui)

Da soma dos dias do meu AM♥R pequenino…

crescer

Filho, hoje completas mais um mês de vida (o chamado aniversário ‘pequenino’). Desde o dia do teu nascimento, o dia mais feliz da minha vida, que assim é. Não há como ficar indiferente à importância deste número a cada novo mês. Estás tão crescido, meu amor pequenino! O mundo nem se apercebe desta contagem e de como cresces velozmente, é certo. Ele limita-se simplesmente a girar e a girar, mesmo que tu estejas a crescer  ‘nele’. Claro que, de vez em quando, algumas pessoas do mundo perguntam a tua idade. E é aí que a mãe se perde. Não porque eu não saiba, ou porque te queira ter sempre pequenino. A verdade é que, se até aos dois anos achava perfeitamente normal saber-te pelos meses, agora dou por mim a fazer contas pelos dedos, não vá enganar-me. Perdoa a tua mãe, filho, mas nunca gostei de números e faço tudo para simplicar tudo que leve os mesmos. Para além disso, não consigo imaginar dizer a alguém que tens 30 meses, mesmo que seja essa a verdade. Soa-me a coisa estranha! Acho que preferia usar a terminologia da bisa Maria (que infelizmente nunca conheceste) e que certamente diria que ‘andas nos 3’, que também é a verdade e até tem alguma graça, não achas? Simboliza quase um processo de ‘amadurecimento’ para chegar ao número certo. 🙂

Adiante… Mais vale ser sincera e admitir que o que a mãe prefere em alguns casos são os arredondamentos e, honestamente, filho, para quem, como eu, não é grande apreciadora de números, de explicações estatísticas ou mesmo da exactidão da matemática, esta foi uma grande conquista da humanidade. Se eu gostasse de números, aí filho, eu não contaria apenas há quantos anos e meses completas o meu mundo. Eu atrever-me-ia a saber quantos dias ou horas tem a tua vida. Isso é que era!

Nem imaginas a quantidade de formas que existem para dizer a tua idade! 🙂 Vê só:

2 anos
2 anos e meio
2 anos e seis meses
30 meses
quase 3 anos (a que eu vou usar a partir de amanhã)
[Acho que vou pedir a alguém, que goste de números, para fazer a conta em dias. Fiquei curiosa. 😀 ]

Em contrapartida, filho, a mãe adora palavras. E gosto muito de as usar, sobretudo para falar de afectos. Para falar de ti e para ti. Elas ajudam facilmente a descrever o amor gigante e sem fim que tenho por ti e que cresce, a cada segundo, a uma velocidade estonteante, mas que não sei mais uma vez pôr por números. E neste ponto, filho, ninguém consegue ser melhor do que eu e encontrar o número certo. Nem imaginas como isso me faz feliz! Porque o que importa não se quantifica. E o que importa é o amor e a maneira como cresces e não quantos dias, meses ou anos cresceste. Um dia vais perceber que há muita gente (dita) crescida que parece ter ainda 30 meses ou qualquer coisa do género. Mas isso são outras contas… 😀

♥♥♥

‘Todo o dia é dia de ser criança’

Tão eu… no meu estado de mulher adulta, sem nunca largar a criança que vive em mim!

Crónicas Digitais by Fernanda Mello

Pegar nas palavras (positivas) de outros e (re)começar o dia…

Porque às vezes os nossos pensamentos estão emaranhados em teias de incertezas, dúvidas ou energias menos positivas.
Porque nem sempre somos capazes de nos levantarmos com o ímpeto certo, rodeados das palavras, que até sabemos, mas que de repente se desviaram do nosso coração.
Acredito, por isso, que, mais importante do que ter a certeza de tudo, é saber que não estamos sós e que há sempre alguém com as palavras ou o tom certo para nos abrir caminho. Hoje esta música teve as honras de abertura no meu dia.

Bom dia, alegria!!!

 

Say – John Mayer

Take all of your wasted honor
Every little past frustration
Take all of your so-called problems
Better put them in quotations

Say what you need to say…

Walking like a one-man army
Fighting with the shadows in your head
Living out the same old moment
Knowing you’d be better off instead if you could only

Say what you need to say…

Have no fear for giving in
Have no fear for giving over
You’d better know that in the end it’s better to say too much
Than never to say what you need to say again…

Even if your hands are shaking
And your faith is broken
Even as the eyes are closing
Do it with a heart wide open

Say what you need to say…

A força das palavras…

Foto @ Pinterest

Sou gordinha há muito tempo. Não tenho quaisquer problemas com isso. Aliás, nunca tive! Quem me conhece, sabe disso. 🙂 Desde que não me traga problemas de saúde, vivo bem. Aborreciam-me, sim, e apenas quando era mais nova, as alcunhas que alguns ousaram atribuir-me, que felizmente não me afectaram nem psicologicamente, nem a nível comportamental, mas que me deixavam triste, confesso, e que nunca achei correcto, antes de muito mau gosto.
Tudo isto para dizer que não gosto de ouvir (ou ler pela blogosfera) algumas mães apelidarem as suas crianças de ‘gordinha(o)’, ‘gorducha(o)’, ‘balofinha(o)’, ‘pipinha(o)’ e outros nomes similares. Acredito que é tudo dito com muito amor, sem intenção de ferir, mas, por muito que possa acontecer o contrário, há sempre a possibilidade de esses nomes se tornarem demasiado presentes na vida da criança. Por coincidência (ou não), essas mães são quase sempre magras, ou, melhor dizendo, têm o peso que a sociedade acha aceitável E convenhamos que uma pessoa magra raramente gosta que a chamem de ‘magrela’, ‘magricela’ ou ‘trinca-espinhas’.

Ai, as palavras! Eu acredito que as palavras têm uma força imensa e que se incrustam nas nossas mentes ‘em pezinhos de lã’. Por vezes, só mais tarde percebemos o mal que nos fizeram. Posso estar a ser exagerada, mas é assim que eu penso e, por isso, tento sempre ser meticulosa na escolha das minhas palavras para os outros. Não sou perfeita, mas tento ser o melhor possível… Já Eugénio de Andrade dizia que
‘São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal’.

Assim penso também!!!

Das palavras (de outros) em que me encontro…

‘Só as tragédias nos relembram o verdadeiro valor da nossa existência. Só as tragédias nos trazem a angústia de sermos mortais. Passamos a vida tão ao de leve, tão preocupados com coisas mundanas, com as contas, com os horários, com o que os outros pensam, com o que é que se tira para o jantar, com aquele berbicacho que temos de resolver até ao dia seguinte, que nos esquecemos do que realmente importa. De quem realmente importa.
Só as tragédias nos espicaçam durante uns dias. Nesse período, prometemos a nós próprios que vamos ser pessoas melhores, que vamos preocupar-nos mais com os outros, que vamos telefonar mais vezes aos pais, aos avós, aos amigos, que vamos cumprir aquela promessa há tanto tempo adiada. Prometemos tudo isto, para logo a seguir sermos novamente engolidos pelo quotidiano e atirados a um mundo que não está feito para contemplações. Um mundo que não nos dá tempo para pensar, que não nos dá tempo para tudo o que um dia gostaríamos de fazer ou dizer. E, quando mais de 90% da população luta para sobreviver, é quase um insulto pedir que sejamos mais contemplativos e olhemos para as pequenas coisas poéticas que a vida nos oferece. A poesia não paga as contas, não cumpre os horários, não faz o jantar.
Mas então acontece uma tragédia. Um acidente, uma doença, uma injustiça. Um segundo que nos rouba o chão, que nos traz o desejo doloroso de ter tido mais um dia, mais um abraço, mais uma palavra sussurrada ao ouvido. Nessa altura, o que nos resta senão as tais coisas poéticas? Quando não há um corpo, quando não há vida, matéria, substância, persistem as recordações e a culpa por todos os minutos que perdemos a pensar nas contas, nos horários e nos jantares. Porque, por muitas voltas que a vida dê, por muitas obrigações que o mundo nos imponha, são as pessoas que nos dão sentido. Pessoas que merecem ouvir todos os dias o quanto são importantes na nossa vida. Todos os dias. Não apenas nos dias das grandes alegrias. Ou das grandes tragédias.

‘Para as minhas pessoas’ de Filipa Fonseca Silva [daqui]

A ausência dói, ai não que não dói…

‘amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico, as rodas fazem um barulho estranho, não deve ser nada mas é melhor prevenir, amanhã prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto à rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai não que não levo,

amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, vê lá tu, quando chegar com ele vê se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai não que não merece,
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório, há aquele projecto do estrangeiro para fechar, está aqui tudo perdido de nervos, não sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o miúdo e as coisas aí em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai não que não tenho,
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer, tenho tudo prontinho na minha cabeça e nada pode falhar, vamos ser ricos, é o que é, ai não que não vamos,
amo-te tanto mas hoje não estás, cheguei à hora combinada para te levar a jantar e tu não estás, o miúdo também não, deve estar no treino, deixa-me cá ligar, ninguém atende, nem tu nem ele, provavelmente deves estar a preparar alguma, sempre foste tão assim, cheia de surpresas, daqui a nada entras pela porta e dizes que me amas, ai não que não dizes,
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou,
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo.’

Pedro Chagas Freitas, in “O Livro dos Loucos” – daqui