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“By This River” de Brian Eno em “La Stanza Del Figlio” de Nanni Moretti

La Stanza Del Figlio” é um filme absolutamente arrepiante, repleto de pormenores habilmente pensados por Nanni Moretti. A emoção vai sendo crescente ao longo de todo o filme, ganhando, na minha opinião, uma força desmedida na cena que vos deixo… um pai amargurado procura encontrar-se com o filho que morreu, nos gostos deste, deixando-se levar pelas subtilezas do belíssimo tema “By This River” de Brian Eno.

 
Here we are
Stuck by this river,
You and I
Underneath a sky that’s ever falling down, down, down
Ever falling down.

Through the day
As if on an ocean
Waiting here,
Always failing to remember why we came, came, came:
I wonder why we came.

You talk to me
as if from a distance
And I reply
With impressions chosen from another time, time, time,
From another time.

You took a chance on loving me, I took a chance on loving you…

O Rei Vai Nu - Sérgio Godinho e Xana

Sérgio Godinho e Xana associam-se à justa causa da UPA e pedem que nos levantemos contra a discriminação das doenças mentais com “O Rei Vai Nu”, um tema que reflecte a dicotomia culpa/tolerância e cujo download pode ser feito no site da Encontrar+se.
Juntos fazemos e faremos a diferença… só assim a doença mental deixará de ser vista como um estigma de uma sociedade, que se assume apressada para escutar.

* Eu estou com esta causa desde o início…

Janeiro: “Pertencer” - Xutos & Pontapés + Oioai (discriminar/integrar)
Fevereiro: “Ele é que não” - Rodrigo Leão + JP Simões (negar/assumir)
Março: “Vendaval” - Camané + Dead Combo (separação/união)
Abril: Sérgio Godinho + Xana (culpa/tolerância)

O Grito da Liberdade

LIBERDADE

Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quando não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada

Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

in  “À Queima Roupa” - Sérgio Godinho (1974)

O “Chão” de Mafalda Veiga

A estrada é feita para seguir”

O single “Estrada“, que pode ser escutado aqui, já se ouve há muito nas nossas rádios… falta agora conhecer o resto do aguardado álbum de Mafalda Veiga, que tem lançamento agendado para o próximo dia 21 de Abril.
Será a minha próxima aquisição…

*

Nanu…

 ”Não era como os outros… mas um de nós, o nosso cão que não queria ser cão e era cão como nós.”
                                                       in 
Cão como Nós, Manuel Alegre

Acho que nunca falei aqui do meu fiel companheiro, o NANU… um cachorro que vive cá em casa há quase 5 anos e que é conhecido pela doçura e amizade que sente pelos seus donos. Tem a liberdade possível num espaço exterior à casa, onde aprendeu a fazer grandes corridas, a rebolar-se na relva, a esconder de um modo hábil os seus ossinhos, a espantar os gatos da vizinhança e a defender devotamente esse espaço. Habituou-se a conhecer outros exteriores, apenas na nossa companhia. Talvez por isso, terá perdido o rumo na passada Quarta-Feira, quando por descuido, se viu sozinho na rua, algo que se complicou com a chuva que teimava em cair implacavelmente. Seguiram-se horas de angústia, de procura incessante a pé, de carro, a chamar pelo seu nome, fazendo aquele assobio que cremos que só ele reconhece… a noite figurava-se ainda mais escura e a ausência cada vez mais latente. Sei que chorei muito, num vazio que nem sei explicar.
Tentei entrar em casa inúmeras vezes sem ele, num estado de resignação, que me dilacerava. Quando o fiz definitivamente, senti-me a pior pessoa do mundo, mas mesmo assim deixei um canto do portão da frente entreaberto, para que ele pudesse regressar à sua casa.
Foi o que aconteceu de madrugada… Um latir familiar, que inicialmente me pareceu vindo de um sonho, fez-nos saltar da cama e correr desenfreadamente para a porta. Encontramos o Nanu a chorar,  cansado, com o pêlo encharcado, envolto em ervas e a necessitar de carinhos. E nós… demos tudo!

Bem- vindo, Nanu!

Volta para casa…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Update: O Nanu regressou a casa! Conto os pormenores, logo que possível.
Obrigada pelas palavras, Amigas! *

Música no Coração de Filipe la Féria

Desde menina que gosto do filme The Sound of Music, principalmente pela linda história de amor e ternura que ele encerra. São estes os sentimentos que o percorrem do princípio ao fim, inspirando a apologia dos mesmos como forças derrubadoras de medos e angústias… a solução encontrada para uma guerra instalada e medonha.

Filipe La Féria conseguiu uma vez mais não defraudar o universo encantado de Julie Andrews e seus pupilos, sobejamente conhecido por todo o mundo, criando um espectáculo belíssimo e seguramente memorável. As palavras chegam a ser escassas diante da grandiosidade dos cenários, dos adereços meticulosamente moldados, da fiel adaptação musical, interpretada de forma primorosa por todos os actores, com algum destaque, na minha opinião, para o grupo de crianças Von Trapp. É certo que gostava de ter visto a Anabela no papel da graciosa Maria Von Trapp, mas a Wanda Stuart conseguiu criar a sua, afastando-se habilmente da exuberância que a caracteriza.
Parabéns a toda a equipa!

O espectáculo continua em cena e comemora brevemente as 500 apresentações, facto ainda raro por terras lusas, mas que começa a ganhar algum sentido nas criações de Filipe La Féria.
Qualquer dúvida, encontrarão resposta aqui.

Heartbeats - José Gonzalez

Lindo este tema de José Gonzalez! *

One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away

Both under influence
We had divine scent
To know what to say
Mind is a razor blade

To call for hands of above
To lean on
Wouldn’t be good enough
For me, no

One night of magic rush
The start a simple touch
One night to push and scream
And then relief

Ten days of perfect tunes
The colors red and blue
We had a promise made
We were in love

To call for hands of above
To lean on
Wouldn’t be good enough
For me, no

To call for hands of above
To lean on
Wouldn’t be good enough

And you, you knew the hands of the devil
And you, kept us awake with wolf teeth
Sharing different heartbeats
In one night

To call for hands of above
To lean on
Wouldn’t be good enough
For me, no

To call for hands of above
To lean on
Wouldn’t be good enough

O voo de Jorge Palma…

Foto: Concerto Jorge Palma, Oliveira de Azeméis [05.04.08]

Como um poeta ele desarranja o pesadelo p´ra lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação

                                                   Jeremias, o Fora da Lei,
Jorge Palma

Num palco aparentemente vazio, onde se vislumbravam apenas piano e microfone, nasceram momentos imensamente belos e grandiosos. Outra coisa não seria de esperar do mestre das palavras e dos sons, que nos foi brindando com novos temas do seu “Voo Nocturno”, revisitando outros tantos… Permanecem ainda em mim ecos da mestria de ou Estrela do Mar , os vocábulos do Al Berto em Acordar Tarde e, também, os gestos desalinhados, mas talentosos do Palma. Lamento a ausência de Terra dos Sonhos

Teria sido um concerto quase sem mácula, não fosse a falta de entendimento do público que encheu a sala do Cine-teatro Caracas, em Oliveira de Azeméis… não se tratava de facto do público fiel do Jorge Palma, mas porventura de um outro que se fidelizou somente ao sucesso “Encosta-te a Mim”, não fazendo certamente ideia da longa carreira do artista, criando por vezes situações absolutamente desnecessárias. Terá sido por isso que no encore coube tão somente uma música!?

Foi difícil dissociar as duas realidades, mas meste momento guardo apenas as memórias das emoções que engrandeceram a minha alma nessa noite.

Obrigada, Jorge Palma!