Das maravilhosas notícias que a música portuguesa nos dá…

Fico imensamente feliz com esta notícia, primeiro porque é um dos meus músicos preferidos e isso deixa-me vaidosa, admito 🙂; segundo porque sempre considerei Rodrigo Leão não somente um artista português, mas um artista do mundo e, por isso mesmo, merece este grandioso reconhecimento, ao ser escolhido para compor a banda sonora do novo filme de Lee Daniels, ‘The Butler’, protagonizado por Forest Whitaker, Oprah Winfrey, entre outros.

Rodrigo Leão compôs as músicas mais lindas que eu conheço, bandas sonoras inesquecíveis e este será certamente o primeiro de muito projectos, não duvido! 

 

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James Gandolfini [1961 – 2013]*

* Um actor extraordinário, que ‘corrompia a minha consciência’, a cada episódio da maravilhosa série “Os Sopranos”, ao fazer-me gostar do seu tão peculiar Tony. Coisas que só a genialidade de um grande actor consegue. E não tenho qualquer dúvida que será, graças ao seu trabalho, que Tony Soprano perdurará como um ícone da história televisiva mundial.

😦

É bom ter estas notícias logo pela manhã, não concordam?

… mesmo que tudo indique o contrário.

Harold’s Planet

António Feio [1954-2010]

Já tinha falado destas palavras aqui, mas hoje justifica-se a repetição, porque é a mais justa homenagem a António Feio, um ser humano que teve uma passagem belíssima por este mundo e que hoje tivemos de ver partir, para tristeza de todos. Precisamos mesmo de aprender a viver cada minuto da nossa vida, com a máxima intensidade, e um dia de cada vez.

Descansa em paz, António Feio!

Matilde Rosa Araújo [1921 – 2010]

Em memória de Matilde Rosa Araújo, uma pessoa que amava as palavras e que hoje nos deixou, partilho um dos seus lindos textos, que se detém na importância do agora, do aprender a não adiar a felicidade e do “valor de um gesto de amor”.

A Fita Vermelha

Se vos conto este desgosto tão grande, não é para vos entristecer. Mas para vos ajudar a compreender, como só então eu pude compreender, o valor da vida. O amor da vida. O valor de um gesto de amor. O seu «preço», que dinheiro algum consegue comprar.

Eu ensinava numa escola velha, escura. Cheia do barulho da rua, dos «eléctricos» que passavam pelas calhas metálicas. Dos carros que continuamente subiam e desciam a calçada. Até das carroças com os seus pacientes cavalos.

A escola era muito triste. Feia. Mas eu entrava nela, ou digo antes, em cada aula, e todo o sol estava lá dentro. Porque via aqueles rostos, trinta meninas, olhando para mim, esperando que as ensinasse.

O Quê? Português, francês. Hoje sei, acima de Tudo, o amor da vida.

Com toda a minha inexperiência. Com todos os meus erros. Porque um professor tem de aprender todos os dias. Tanto, quase tanto ou até muito mais que os alunos.

Mas, desde o primeiro dia, compreendi que teria nas alunas a maior ajuda. O sol, a claridade que faltava àquela escola de paredes tristes. A música estranha e bela que ia contrastar com os ruídos dos «eléctricos», dos automóveis da calçada onde ficava a escola. Até com o bater das patas dos cavalos que passavam de vez em quando.

Porque, mais que português e francês, havia uma bela matéria a ensinar e a aprender. Foi nessa altura que comecei mesmo a aprender essa tal matéria ou disciplina – ou antes, a ter a consciência de que a aprendia.

Eu convivia com jovens (seis turmas de trinta alunas são perto de duzentas) que no princípio de Outubro me eram desconhecidas. Cada uma delas representava a folha de um longo livro que no princípio de Outubro me era desconhecido. Todas eram folhas de um longo livro por mim começado a conhecer. Não há ser humano que seja desconhecido de outro ser humano. Só é precisa a leitura.

Eu tinha agora ali perto de duzentas amigas. Todas aquelas meninas confiando em mim, esperando que as ensinasse; sorrindo, quando eu entrava, assim me ensinavam quanto lhes devia.

Numa turma uma aluna faltava há dias. Era a Aurora. Morena, de grandes olhos cheios de doçura. Talvez triste.

A Aurora estava doente. Num hospital da cidade, numa enfermaria. Num imenso hospital.

Olhei o retratinho dela na caderneta.

Retratinho de «passe», num sorriso de nevoeiro de uma modesta fotografia. Tão cheia de doçura a Aurora! Doente, do hospital tinha-me mandado saudades.

– Vou vê-la no próximo domingo – anunciei às companheiras.

E tencionava ir vê-la mesmo no próximo domingo.

Mas o próximo domingo foi cheio de sol. Sol do próprio astro, quente, luminoso. Igual e diferente, ao mesmo tempo, do sol-sorriso das meninas.

E eu, a professora, ainda jovem, que gostava do sol, fui passear. Ver mar? Campos verdes? Flores? Já nem me lembro. E da Aurora me lembraria se a tivesse ido visitar.

Começava a Primavera.

Adiei a visita naquele próximo domingo, para outro dia, para outro próximo domingo.

Hoje sei que o amor dos outros se não adia.

Aurora esperou-me toda a tarde de domingo, na sua cama branca, de ferro. Tinha posto uma fita vermelha a segurar os cabelos escuros. Esperava-me, esperava a minha visita, cuja promessa as companheiras lhe haviam transmitido.

Veio a família: mãe, pai, irmãos, amigos, as colegas.
– Estou à espera da professora…

No dia seguinte a doença foi mais poderosa que a sua juventude, a sua doçura, a sua esperança.
A cabeça escura, sem a fita vermelha, adormeceu-lhe profundamente na almofada, talvez incómoda, do hospital.

Sabemos todos já, amigos, que há vida e morte. Também isso temos de aprender.

Não fiquem tristes por isso. Vejam como as flores nascem quase transparentes da terra, como as podemos olhar à luz do Sol, e morrem, para de novo nascerem.

Lembrem-se como de um ovo de um pássaro podem sair asas que voem tão alto em dias de Primavera. Morrem, também, e todas as primaveras nascem de novo. E, sobretudo, lembrem-se do coração de cada um de nós, desta força imensa.

E não adiem os vossos gestos. Procurar alguém que sofra, que precise de nós, nem sequer é um gesto generoso, deve ser um gesto natural que se não adia.

Às vezes até precisamos uns dos outros para dizermos que estamos felizes, contentes. Só para isso. Mesmo felizes precisamos dos outros.

Aurora ensinou-me para sempre esta verdade.

As lágrimas que por ela chorei já não lhe deram aquela visita do próximo domingo.

Nem a mim a alegria de a encontrar sorrindo, cheia de doçura, com uma fita vermelha a prender os cabelos escuros. Vermelha de sangue, como a vida. O Sol. Flores vermelhas.

Aurora era o seu nome. E a sua vida uma manhã apenas que, na minha distracção ou egoísmo, não tive tempo de olhar. Uma manhã com uma fita vermelha. Que lágrima nenhuma pode reflectir.

in O SOL E O MENINO DOS PÉS FRIOS de Matilde Rosa Araújo

Saibam como ajudar a Madeira

Praça da Autonomia - Funchal (Maio 2006)

Praça da Autonomia - Funchal (Fevereiro 2010)

Foto de Miguel Correia daqui

Não há palavras que consigam descrever a tragédia que a Ilha da Madeira está a sofrer desde o passado Sábado, altura em que a força das águas engoliram literalmente alguns lindos recantos do “coração do atlântico”, tirou a vida a imensas pessoas e deixou inúmeras desalojadas. Tratou-se de uma luta titânica onde a natureza saiu vencedora. Eu estou devastada com as imagens que tenho visto nos últimos dias e com os relatos de amigos madeirenses, que dizem com pesar que “nada do que se vê na televisão se compara à real dimensão dos acontecimentos.” Eu estive na Madeira em 2006 e nem quero acreditar que a cor que tão a caracteriza tenha sido posta em causa.

Importa agora ajudar, da forma que cada um souber ou achar mais adequada. Aqui encontram algumas informações para o fazer e aqui vêem como os CTT também resolveram ajudar a Madeira, ao criarem um modo fácil e solidário de recolher bens essenciais. É uma iniciativa de louvar.

Ajudem, se puderem!

O desejo de Jamie Oliver…

Gosto da personalidade de Jamie Oliver, desde que comecei a acompanhar o registo simples e contagiante dos seus programas de culinária. Cedo percebi que para ele não era apenas importante cozinhar e fazer pratos bonitos, mas saber valorizar o que a natureza nos dá e educar o nosso paladar e hábitos. Dedicou algum do seu tempo na educação alimentar de escolas inglesas, para que estas adoptassem novos hábitos alimentares e contrariassem a terrível posição estatística do Reino Unido, no que diz respeito aos níveis de obesidade. Agora este chef de renome dirige a sua campanha para os EUA, o país com maior número de pessoas obesas no mundo.

O chef inglês ganhou recentemente o TED Prize 2010, um prémio atribuído todos os anos a pessoas inovadoras, que tenham como objectivo melhorar o mundo em que vivemos. A cada vencedor é oferecido um prémio de $100,000 e a possibilidade de pedir um desejo, que terá depois o apoio da fundação.

Este é o desejo de James Oliver:

“I wish for your help to create a strong, sustainable movement to educate every child about food, inspire families to cook again and empower people everywhere to fight obesity.”

E este é o discurso, quando recebeu o prémio. É um vídeo longo, mas que vale a pena ser visto.


E do espectáculo “Hope for Haiti Now” resulta um CD de sucesso…

Foi brilhante o percurso deste espectáculo de solidariedade, desde a sua exibição até se tornar no primeiro CD digital a conseguir atingir o primeiro lugar na conhecida tabela de vendas Billboard 200. Os lucros ajudarão as vítimas da sismo no Haiti, através das acções das seguintes organizações:

Clinton Bush Haiti Fund
Oxfam America
Partners in Health
American Red Cross
UNICEF
United Nations World Food Programme
Yéle Haiti Foundation

Capa do CD "Hope for Haiti Now"

O alinhamento do CD “Hope for Haiti Now” é o seguinte:
1. Send Me An Angel – Alicia Keys
2. A Message 2010 – Coldplay
3. We Shall Overcome – Bruce Springsteen [foto]
4. Time To Love / Bridge Over Troubled Water – Stevie Wonder
5. I’ll Stand By You – Shakira (c/ The Roots)
6. Motherless Child – John Legend
7. Hard Times Come Again No More – Mary J. Blige (c/ The Roots)
8. Breathless – Taylor Swift
9. Lift Me Up – Christina Aguilera
10. Driven To Tears – Sting
11. Halo – Beyoncé
12. Lean On Me – Sheryl Crow, Keith Urban e Kid Rock
13. Like A Prayer – Madonna
14. Hallelujah – Justin Timberlake (c/ Matt Morris e Charlie Sexton)
15. Let It Be – Jennifer Hudson (c/ The Roots)
16. Many Rivers To Cross – Emeline Michel
17. Stranded (Haiti Mon Amour) – Jay-Z, Rihanna, Bono e The Edge) [versão ao vivo]
18. Alone And Forsaken – Neil Young e Dave Mathews
19. Rivers Of Babylon / Yele – Wyclef Jean
20. Stranded (Haiti Mon Amour) – Jay-Z, Rihanna, Bono e The Edge) [versão 1.0]

Não se consegue ficar indiferente a esta tragédia…

“É horrível assistir à agonia de uma esperança “
Simone de Beauvoir

Port-au-Prince, capital do Haiti, em ruínas, após o sismo

Port-au-Prince, capital do Haiti, em ruínas após o violento sismo

Foto by EPA @ Expresso


Sismo no Haiti – filmado por câmara de segurança


A terra tremeu e eu senti…

A sensação foi estranha e muito breve, mas deu para perceber que algo de estranho se estava a passar. Não terá sido tão intenso, como parece ter sido no Sul do país, mas deu para assustar o suficiente. Valeu-me a actualização do twitter e facebook, para tomar consciência do que tinha acontecido.

A imagem retirada do site da USGS esclarece os detalhes do sismo com magnitude 5.7.

Imagem @ USGS