David Fonseca sings “O Come All Ye Faithful”

“A arte começa onde a imitação acaba.”
Oscar Wilde

As belíssimas versões que David Fonseca produz com temas de Natal são já para mim uma tradição desta quadra. Em 2006 encantou com “Little Drummer Boy”, no ano passado brindou-nos com “Amazing Grace” e este ano traz-nos o tema “O Come All Ye Faithful” num registo sui generis, simplesmente admirável.

Na minha opinião (humilde, claro), David Fonseca nasceu claramente no país errado… Eu sei que isto soa a fatalismo lusitano, mas talvez numa outra esfera, com um público “à sua medida”,  a sua genialidade fizesse história sem grandes impedimentos. Ou será esta a forma de Portugal saber destacar a arte por entre a mediocridade? Fica a questão… 
Resta agradecer a David Fonseca e desejar-lhe também um Natal muito feliz.  

Anúncios

Deixo-vos um conselho…

… dêem atenção a estas palavras.

Não vale a pena despedirmo-nos cedo demais da vida e daqueles que mais amamos.


by Agência Publicidade Mccann Erickson para assinalar os 18 anos da Liga Portuguesa Contra a Sida [24.10.2008]

Donna Maria – Momentos Perfeitos em S. João da Madeira

As emoções que vivi na noite de Sexta-feira ainda fervilham e teimam em dificultar a minha vontade em escrever e descrever o concerto dos Donna Maria, que teve lugar nos Paços da Cultura de S. João da Madeira. Guardarei sempre, para sempre cada som, cada palavra, cada momento na minha memória… porque tudo é para sempre.

                 Foto @ donna-maria.blogspot.com

Ao som de “Amar como te amei”, a primeira música do segundo álbum Música para Ser Humano”, os Donna Maria abriram aquele que se iria transformar num dos concertos mais arrebatadores que eu já assisti nos últimos tempos, enchendo de imediato o auditório de um intenso intimismo e de sentimentos vários, que ora advinham da interpretação expressiva, intensa e dramática de Marisa Pinto e da música arrepiante que a acompanhava, ora das palavras que subitamente pareciam ganhar vida própria, num palco que se revelou pequeno para tanto sentimento, vida e generosidade. Durante hora e meia, o trio lisboeta fez uma visita pelos dois álbuns editados Tudo é para sempre” e Música Para Ser Humano” e ofereceu-nos, entre outros temas, Dois lados do mesmo adeus, Há amores assim”, a minha versão preferida deEstou Além”, “Pão P’ra Multidão”, “Anti-Repressivos” Lado a Lado” e um bisado e ovacionado “Foi Deus”, sem esquecer o instrumental “Fragmagens”.

O trabalho dos Donna Maria é já uma marca no panorama musical português, que perpassa vários géneros musicais, desde o fado à música electrónica, nunca esquecendo a portugalidade que igualmente os define, seja pelo uso de instrumentos como a guitarra portuguesa ou o acordeão, seja pela coragem de “vestirem” com novas sonoridades, temas de referências da música popular portuguesa, como Amália Rodrigues, Tony de Matos ou António Variações. Merecem, sem qualquer dúvida, os mais rasgados elogios, porque mostram que, tanto em estúdio, como ao vivo, são um coeso exemplo de expressão musical.

“cereja em cima do bolo” foi encontrar no youtube o vídeo do momento da noite, aquele em que o tema Quase Perfeito” uniu palco e público e se tornou simplesmente PERFEITO. Esta é uma forma muito bonita de perpetuar um belo e mágico instante de felicidade, que, pela reacção final, me pareceu estender-se a todos os que encheram aquela sala.

Soube bem ter-vos por perto, Donna Maria…

* Obrigada pela partilha, Amiga! Fez-nos bem…

Nem tudo o que parece, é…

Soberbo…


                                     Vídeo by Associação Ilga Portugal [2005]
                                           / Pelo direito à indiferença /

Save Miguel…

Com um sorriso nos lábios, o actor Rob Schneider abraçou esta causa e veio prontamente de Hollywood até Portugal à procura de Miguel… e encontrou-o. Saiba aqui os contornos desta aventura, que o comediante aceitou fazer sem cobrar qualquer cachet.

Espalhem a notícia e defendam o que é português e natural.

Site da campanha:
http://www.savemiguel.com/

Love is in the air…

O AMOR será sempre um belo sentimento, que atravessará todas as gerações sem grandes inovações. Basta estar receptivo…

Bom fim-de-semana! 🙂

Não se pode alterar o que já se fez…

… podemos é mudar o que ainda está por fazer.
Vale a pena pensar nisso…


“Perfect Pictures For An Imperfect World” by Fotoprix
        (imagens perfeitas para um mundo imperfeito)

Such Great Heights – The Postal Service

Tudo o que gira à nossa volta pode ser bonito, simples e natural. Basta querermos e fazermos por isso.
Eu começo por vos dar o tom para um bom fim-de-semana, com esta música fabulosa dos The Postal Service.
Sejam simplesmente felizes!

Continuar a ler

Deolinda “cantam a tristeza rindo”


             Foto @ Myspace Deolinda [capa cd “Canção ao Lado”]

“Cantar a Tristeza rindo” é a forma como os próprios definem este projecto original, iniciado recentemente, mas que tem todos os ingredientes para ser um sucesso. “Canção ao Lado”, o nome do álbum dos Deolinda, percorre vários estilos musicais, fazendo uso de um humor refinado, irreverente, com palavras perfeitamente encadeadas com o ritmo musical que já os caracteriza. Se ainda não compraram o cd, passem pelo Myspace do grupo e divirtam-se com o “Fon fon fon” e o “Movimento Perpétuo”, ou encantem-se com a doçura de “Não sei falar de amor”.
Deixo-vos ainda o vídeo e a letra do “Fado Toninho”, que é, na minha opinião, uma das músicas mais sui generis que ouvi nos últimos tempos. O dedilhar gingão da viola e o cruzamento de frases coloquiais, num fado/canção, resultaram de facto num belo momento de música popular portuguesa.
As nossas tradições podem perdurar de formas diversas… basta querer e saber fazer.

Continuar a ler

Pessoal e Intransmissível…

Ao contrário do que é habitual, começo hoje pelas palavras, sem sons, sem vozes… talvez assim os nossos sentidos se orientem melhor, sem lugar para desvios ou precipitações.
É urgente perceber que o tempo teima fazer de nós seres quase sem alma, que sobrevivem, não vivem… e que cabe a cada um de nós lutar contra essa demanda, encontrando o tempo que nos pertence e sentir cada momento como único, pessoal e intransmissível.

A premissa é simples: VIVER A VIDA COM TODA A INTENSIDADE! A FELICIDADE VIRÁ DE SEGUIDA!

Deixo-vos o tema “Fragilidade” de Mafalda Veiga, para que pensem nisso. *

FRAGILIDADE

Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera

Houvesse um canto para se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse como um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade

Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o
vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar

E é tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra e já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve

(in álbum “Nada se repete”  [1992] de Mafalda Veiga)

  
                                    Mafalda Veiga
 & Luís Represas